quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sonhando Alto - O Trânsito



O trânsito é um negócio complicado. Mas pior ainda é às seis da tarde, em plena Avenida do Estado, querendo voltar pra casa.
De um lado, os tiozinhos vendendo chocolate, amendoim, queijo quente e todo tipo de besteira – que é meio difícil de resistir às vezes, devo admitir. Do outro, o corredor de motoqueiros e sua barulheira dos infernos. Uma leve esterçada no volante é perigosa: seu retrovisor pode ser vítima de um golpe mortal. Em seguida, você vai ser xingado e ouvir as buzinadas ferozes de toda a trilha de motoqueiros que vem logo atrás. É melhor não tentar mudar de faixa nessas horas.
Isso tudo pra não falar da molecada pedindo dinheiro e você se sentindo um grandissíssimo filho de uma puta por preferir comprar um saquinho de amendoim do que dar uma moeda de um real pra um dos moleques. E lógico, a galera que vem limpar o vidro do seu carro com alguma substância diferente de água e sabão, por que mais suja o vidro do que limpa. E como falar pros caras que você não quer o serviço deles, por mais que seja de coração? Camarada, eu não tenho dinheiro!
Mas a pior parte, com certeza, é quando lá de longe, você vê o farol verde. Você acha que vai andar e espera, já com o pé na embreagem e a primeira marcha engatada. Mas não anda. O trânsito continua no mesmo lugar. O farol fica vermelho e volta a ficar verde outra vez. Quando fica vermelho de novo, volta tudo: os tiozinhos, os motoqueiros, a molecada e a galera que limpa o vidro. É um ciclo infernal que parece que não vai acabar nunca.
Nessas horas, minha cabeça começa a esquentar. Eu aumento o som no talo, e começo a gritar com a música, tentando esquecer onde eu estou. Não quero saber daquele trânsito, de mais nada.
Um dia desses, nesse exato momento que já virou parte da minha rotina, aconteceu um negócio diferente. Brincando de tocar bateria, como gosto de fazer, eu de repente não estava mais na Avenida do Estado. O banco do carro virou um banquinho, e o painel do carro, um monte de tambores e pratos. O pedal do freio era o pedal do bumbo e as baquetas que eu imaginava, estavam em minhas mãos. Muitas luzes, vermelhas e esbranquiçadas apontavam para o meu lugar, me dando destaque.
Ouvi um barulho incomum, insano, absurdo, de muitas pessoas gritando. Era uma multidão. Me levantei devagar e percebi onde estava: um enorme estádio. Deviam ser mais de cem mil pessoas na platéia e no palco, apenas eu e a bateria.
A princípio, fiquei nervoso, sem saber o que fazer. Mas começaram a gritar meu nome com vontade, com paixão. Cem mil pessoas me admiravam, me idolatravam. Eu era o astro do rock que sempre sonhei. Me vi com um headset na cabeça, e percebi que era hora de me apresentar, de dar as boas vindas ao meu público.
— Boa noite, São Paulo!
A multidão respondeu com gritos ainda mais fervorosos.
— Essa noite, somos só vocês e eu!
Sentei de volta no banquinho e comecei a debulhar a bateria. A cada prato atacado pelas baquetas, a resposta da multidão era ainda maior.
Era aquilo que eu queria. Eu não lembrava que tinha um emprego, que precisava enfrentar o trânsito, que não era só mais alguém. Ali, naquele momento único, eu era quem eu queria ser de verdade.
Quando terminei a primeira música, me levantei do banquinho, erguendo os braços com as baquetas nas mãos. Mas não consegui levantar totalmente. Alguma coisa impedia que minha cabeça fosse mais alto e meus braços se esticassem mais.
Foi aí que me dei conta. Eu estava tentando levantar do banco do meu carro, amarrado em um cinto de segurança. Não tinham tambores, nem pratos, e em minhas mãos, não havia baquetas. Era o trânsito da Avenida do Estado outra vez, na minha frente. As luzes vermelhas e esbranquiçadas eram os faróis e luzes de freio dos outros carros.
E lá estavam de novo os tiozinhos vendendo besteiras, os motoqueiros buzinando no corredor, a molecada pedindo esmola e os camaradas querendo limpar o vidro do meu carro. O semáforo continuava verde e o trânsito continuava parado. Eu ainda tinha que ir trabalhar no outro dia, fazendo aquilo que eu não queria e sendo quem eu não devia ser.
Mas, como dizem por aí, a vida continua. Eu sei que vou sair desse trânsito, porque amanhã, vou ter que encarar ele de novo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Precisão

Eu preciso conversar, mas não tenho com quem. Eu preciso gritar, mas não posso acordar ninguém. Eu preciso chorar, mas não consigo arrancar nenhuma lágrima dos meus olhos roxos. Eu preciso dormir, mas não sei da onde vou tirar tempo.
Eu preciso me esforçar, mas não sei por quem. Eu preciso namorar, mas quem quer a mim? Eu preciso trabalhar, mas não sei no que. Eu preciso brigar, mas não sei porque.
Eu preciso de tanta coisa, que não sei por onde começar. Eu preciso ser rico, ser forte, bonito e não me importar. Eu preciso ser inteligente, esperto e negligenciar. Eu preciso ser um lixo, a escória e depois gargalhar.
Eu preciso de um monte de coisas, mas quero pouquíssimas delas. Eu quero mais um monte, e não preciso de nenhuma delas. O que eu tenho que fazer pra continuar? Será que acreditei em algo errado?
Eu preciso dormir pra sonhar. Eu preciso acordar pra realizar. Será que os sonhos são pros idiotas? Será que reaizações são pros ricos? Será que tudo se resume aquela velha regra de quem pode manda, obedece quem tem juízo?
Se for assim, esse não é meu lugar. Logo, preciso me mudar. Eu preciso do impossível, porque o possível me faz enjoar. Eu preciso fugir, porque parado, eu não posso ficar.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A Geração X e as Eleições 2010


Imaginei que não fosse tornar pública minha opinião sobre a atual política no Brasil. No entanto, não posso mais observar a geração X utilizando de suas armas digitais para se impor no mundo, dizendo que possuem “opinião própria” e “personalidade forte”.

Antigamente, votar era um direito exímio. Algumas pessoas que tinham 16 anos não se consideravam nem no direito de votar, por acharem que eram novos demais pra participar de algo tão grandioso.

A campanha para o voto no Brasil é fantástica, mas também pode enganar. Ora, onde já se viu uma criança de 16 anos achar que sabe o que é o melhor para o país? Essa pessoa pode insistir, birrar, e espernear, dizendo que é madura o suficiente, mas a verdade, é que ela não está preparada para votar.

Votar é algo sério. Muito mais sério que ouvir os políticos falando asneiras com musiquinhas emocionantes e achar que estão certos. Muito mais sério do que xingar um político porque parece uma “bruxa” ou o “senhor burns”. Muito mais sério do que ouvir seus pais dizendo que tal político é um monstro.

Antes de tudo, o que você deve fazer é ser humilde e assumir que não tem material intelectual suficiente pra escolher um candidato. Ou ser humilde o suficiente, pra assumir que defende um partido ou ideologia política por conta de sua família. Se você é novo e quer ajudar a democracia do país, não tem problema em acreditar no que seus pais dizem. Eles são seus pais! Só não se esqueça de que você ainda vai(e deve) criar a sua própria opinião. E pra isso, é hora de abrir a mente pra tudo. É hora de aprender a imparcialidade.

Baseado nisso, não consigo mais entrar no twitter sem ver crianças assumindo posições políticas. E essas crianças estão preocupadas com o futuro do país? NÃO! Há algumas que dizem ter desistido do Brasil. Boa parte não queria mais nem estar aqui. Então, meus amigos, pergunto: o que leva essas crianças a defenderem com unhas e dentes meros candidatos de partidos políticos? Esses candidatos são seus amigos? Fizeram alguma coisa que os emocionou? Ora, não me venha falar de estradas e hospitais públicos!

Chego a pensar, que essa defesa absurda se dá por conta de um motivo simples: essas crianças precisam se auto-afirmar. Elas não podem ser simples crianças sem opinião. Elas querem ser maduras e precisam ser maduras. Por que?!

Diante da nova era da humanidade, nos deparamos com uma situação assombrosa: a ética entre as pessoas não existe mais. Ninguém está errado. Todos têm razão. E existe uma justificativa? NÃO! Baixar a cabeça não é uma alternativa. Entender que você é capaz de um erro chega a ser estupidez.

Por isso, não só as crianças da geração X, mas todos aqueles que fazem de seus partidos políticos parte de sua alma, contribuem para uma sociedade cada vez mais coturbada. Ao invés de entender que a disputa política é algo sério, as pessoas preferem trocar ofensas pelo twitter e defender seus candidatos, brigando com amigos e caindo a níveis desesperadoramente baixos.

Não bastava destruir a alegria de assistir o futebol no estádio com brigas entre torcidas organizadas, adultos idiotas, exemplos para a geração X, com ditas cabeças formadas, saem as ruas com suas bandeiras como se fossem espingardas e travam batalhas com seus adversários. Note que os adversários são outros idiotas com outras bandeiras que tatuam no peito o nome de seu candidato.

Querer mudar o Brasil? Pra que? É mais legal esquecer das propostsas dos candidatos e saber que existem dois lados: o vermelho e o azul. Que o campeão de bolinhas de papel vença.

Falando em propostas de candidatos, você ouviu alguma coisa relevante na campanha do segundo turno? Ou ouviu Dilma e Serra se atacando desesperadamente, um partindo para o ponto fraco do outro, como se fossem lobos sedentos por uma briga?

Pois é. E as pessoas ainda querem defender candidatos que não falam nada sobre o que vai ser bom pro país. Definitivamente, a impressão que tenho, é que essas pessoas preferem votar numa grande confusão.
As eleições 2010 foram uma grande decepção pra mim. Revelaram o grande potencial que as pessoas têm de ser sugestionáveis e se agarrar a uma causa por pura auto-afirmação.

Quanto ao meu voto, escolherei um dos dois candidatos, apesar de saber que não ouvi proposta alguma de nenhum dos dois. E eu tenho meus motivos para apostar em Dilma Rousseff como a melhor opção para o país.

Não que eu tenha já todas as qualidades intelectuais para escolher um candidato ou um partido. A questão é que na minha vida e na de meus pais, o governo petista só ajudou, quando os tucanos trouxeram complicações. E eu tenho certeza que para muitas pessoas, o contrário aconteceu.

Talvez, como uma civilização, pudéssemos respeitar as duas situações, por mais que isso prove que os dois governos ainda são direcionados a públicos diferentes(e  isso, só nós podemos consertar). Enquanto os tucanos querem transformar os petistas em vândalos e os petistas querem transformar os tucanos em mestres da arrogância, eu vou perder algumas horas do meu domingo, e votar em Dilma, enquanto sei que meu amigo votará em Serra. E depois, nós vamos juntos comer um pastel na feira, esquecendo totalmente que votamos em candidatos diferentes.

Num mundo ideal, as pessoas não votam para se auto-afirmar. Elas votam porque querem um mundo melhor. E esse mundo ideal está longe de ser o Brasil das eleições 2010. Os políticos são meros peões, comparados com a estupidez absurda que a sociedade brasileira eleitora demonstra.


O Poeta

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Abraço de Amiga


Dois amigos – um menino e uma menina – estavam sentados em um banco. A menina estava chorando, e disse que precisava de um abraço. Ele a abraça com todo o seu carinho. Então ela diz:
—Não, não desse jeito, amigo.
—Por quê?
A menina, desconsertada, não soube como responder. Encontrou então a resposta mais básica e simples que poderia:
— Porque amigos não se abraçam assim.
O menino consertou o abraço, mas mesmo assim, estava perplexo. Queria saber mais.
— Mas você está triste e precisando de carinho, certo? Por que não posso te abraçar assim?
—Já disse, amigo. Você é meu amigo, e me dá o seu carinho assim. Se fizer do outro jeito, vai ser outra coisa. Meu namorado ou coisa do tipo.
—Entendi — disse o menino, com muitas dúvidas na cabeça. — Mas porque você abraça aquele seu outro amigo diferente de mim?
A menina ficou em silêncio por algum tempo. Fez alguns sons estranhos e então disse:
— Porque com ele é diferente.
—Ele é seu namorado ou coisa do tipo? Pensei que seu namorado fosse aquele que fez você chorar tanto.
—Não, aquele amigo não é meu namorado. Ele é um amigo... especial.
—Entendi — disse o menino, ainda mais confuso. — Eu não sou seu melhor amigo?
—É claro que é! — disse a menina, como se estivesse ofendida. — Você é o meu melhor amigo do mundo, amigo. Eu não sei o que faria sem você.
—Mas eu não sou especial... — disse o menino, entristecido.
—É claro que é! O mais especial de todos.
—Entendi — não, mais uma vez, o menino não tinha entendido. — Mas se eu sou o mais especial, porque não posso te abraçar como os menos especiais te abraçam?
—Porque é diferente.
—Entendi — outra vez, ele não entendeu. — Eu queria poder abraçar você como os menos especiais te abraçam. E encostar meus lábios nos seus, como eles fazem. Será que eu não mereço, por ser o mais especial entre todos?
—Amigo — disse a menina, pacientemente. — Se você fizer isso, vai deixar de ser o mais especial entre todos. Vai ser só mais um menos especial.
—Entendi — o menino estava cada vez mais confuso. — Mas não é você que procura a pessoa mais especial do mundo para poder abraçar daquele jeito e encostar os seus lábios? Alguém tão especial que jamais encostaria os lábios nos lábios de outra amiga? Eu sou especial assim, não sou?
A amiga ficou quieta, mantendo o sorriso no rosto. O menino a achava linda, e passava a mão por seus cabelos lhe fazendo carinho, querendo muito abraçá-la diferente e encostar seus lábios nos dela. Mas ela disse que não podia, por algum motivo. E ele a respeitava.
O menino ficou esperando uma resposta, até que ela veio.
—Eu sou muito nova pra pensar nisso amigo. Esquece isso, e seja meu amigo mais especial do mundo, por favor?
—Eu vou ser sim, pode deixar — disse o menino. — Só tenho mais uma pergunta amiga, se não for te incomodar.
—Pode dizer, amigo — a menina não estava mais tão paciente.
—Porque você abraça diferente aquele seu amigo que tem namorada, sendo que ela é sua amiga? E porque você abraçava ele diferente quando namorava com o menino que te fez chorar? Não foi ele ter abraçado diferente sua amiga que te fez chorar?
A menina ficou em silêncio por algum tempo. Continuou em silêncio por mais tempo, até que abraçou o menino – não diferente – mais forte e espremeu mais lágrimas. Então ele disse:
—Entendi.
E dessa vez ele tinha entendido. Naquela noite, ele chorou tanto quanto a sua amiga, talvez até mais. Daquele dia em diante, ele jamais teria amigas muito especiais. Se quisesse algum dia abraçar uma menina diferente ou encostar seus lábios nos dela, teria que ser muito menos especial. Porque então, ele seria diferente. E não ia precisar chorar.

domingo, 25 de julho de 2010

Em Que Você Acredita?

Você já ouviu falar em magia? Aposto que sim. Já ouviu falar em mitologia grega? Mitologia romana, nórdica ou egípcia? Eu tenho certeza. Guerras entre anjos e demônios, criaturas da noite como vampiros e lobisomens, lutas antigas por poder, criaturas fantásticas que ultrapassam o limite do que conhecemos como real, desde os elfos e hobbits, passando pelo saci pererê e a mula-sem-cabeça, até fadas e gênios da lâmpada. Pra não falar de extraterrestres, explosões cósmicas, planos de existência paralelos, universos paralelos, viagens no tempo e vida inteligente além de nossa compreensão.
Tenho certeza que você já ouviu falar de tudo isso, mas uma pergunta não quer calar: você acha que nada disso existe ou que são coisas impossíveis?
Bom, se você tem convicção de que essas coisas não existem e que são apenas historinhas inventadas por alguém que não tinha o que fazer, talvez essa história não seja o seu tipo de leitura. Nada contra. Na verdade tenho contra sim, mas não é nada pessoal.
No entanto, para os que quiserem continuar, gostaria que ponderassem sobre o assunto. Será que essas idéias foram tiradas do nada? Não me entenda mal, não estou julgando a criatividade de ninguém, muito pelo contrário. Mas começo a pensar em um universo tão grandioso quanto o nosso e o quanto somos insignificantes. Eu confesso que só sei quanto vale um ano-luz se entrar no Google agora e procurar, porque é um número tão absurdo que não costumo gravá-lo. Há quantos anos-luz está a galáxia mais próxima da Via-Láctea?
Se pararmos pra pensar, o universo é imenso, cheio de coisas novas para descobrirmos, e podem ter certeza: se alguém aqui acredita que quando morrer vai ficar debaixo da terra esperando ser comido pelos insetos, peço desculpas, mas acho algo bem triste. Como assim? Temos mais ou menos 80 anos pra descobrir um lugar com dezenas e centenas e milhares e milhões de anos-luz? Não. Eu não consigo aceitar.
Por isso, me pergunto todos os dias: o impossível existe? A grande questão é que hoje em dia, as pessoas se confortaram com o possível que lhes ensinaram. O plausível. O mundo real. O sem graça, sem sal, sem açúcar, sem vida, mundo real.
Pense sobre isso: Você gosta de passar horas e horas no trânsito, ouvindo buzinas por todos os lados, sentindo cheiro de fumaça, levantando os vidros do seu carro com medo de ser assaltado a qualquer momento? Ou prefere viajar para uma terra distante, onde você empunha uma espada, cavalga em um pégaso e luta pelo bem da humanidade? Dá pra pensar numa escolha entre as baladas caríssimas de uma metrópole com pessoas te esmagando e trombando em você ou um baile medieval com sua princesa ou príncipe encantado? Você prefere um mundo onde todos estão contentes com seus vilões e não fazem nada para impedi-los, ou quer estar em um onde você tem poder e vontade de usá-lo para derrubar os vilões e fazer a vida de todos, muito melhor?
Bom, eu tenho minhas respostas muito bem definidas.
Ninguém pensa no vácuo. E ninguém simplesmente decidiu inventar lendas e mitos. As pessoas viram, viveram e passaram suas histórias adiante, interpretando-as do seu jeito. Por isso se tornaram lendas e mitos. Porque se perderam no tempo.
Os grandes contadores de história souberam onde procurar as mais comoventes e emocionantes histórias. Seria uma falta de respeito com eles dizer que simplesmente contaram qualquer coisa pras pessoas. Eles passaram noites em claro pensando e estudando o melhor jeito de contar as histórias que hoje são consideradas “Fantasias”.
Entenda, não estou dizendo que vou pular de um prédio e tentar voar. Mas não descarto a possibilidade de que o homem pode, um dia, se conseguir se livrar de seus preconceitos com o impossível, bailar nos céus com suas próprias capacidades. Diziam que ele nunca o faria nem com ajuda de acessórios e de repente... BUM! Surge o avião. Será que não começamos a duvidar demais de nós mesmos? Ou simplesmente achamos que assim está bom demais?
A história que eu vou contar é para aqueles que acreditam em mais do que o nosso limitado campo de visão fornece. É para aqueles que sabem que nada é tirado do nada, e que tudo, à sua maneira, é possível. Para aqueles que acreditam que o mundo melhor, está dentro de nós há muito tempo, e nós é que não soubemos procurar, tão presos a jaula de possibilidades limitadas impostas pela sociedade em que estamos.
Essa história começa contando sobre as vidas de pessoas que ficaram enjauladas por muito tempo na cápsula do possível. Pessoas que vão acabar sendo obrigadas a sair de seu mundo real e confortável e entender que se não acordarem logo, pode ser tarde demais. Quem sabe o dia o mesmo não acontece conosco, não é mesmo?
Mas atenção:
Esse é o meu jeito de ver essa história. O meu favorito. Talvez, o verdadeiro tenha se perdido há muito tempo, quando alguém teve a brilhante idéia de inventar as palavras possível e impossível. De qualquer jeito, não se engane: isso é uma ficção. Como diria alguém que muito me ensinou sobre o assunto: A realidade é muito pior.

terça-feira, 16 de março de 2010

Canção do "In"Conformado

Faz-se já o decreto direto

Daquilo que é certo e não pode mudar

Mundo caótico, esse ar me é tóxico

Certezas incertas que vou abraçar

Meu lar é pequeno, meus olhos menores

Desajeitos internos me fazem melhor

Se sou diferente e ninguém me entende

Porque vou parar pra escutar o pior?

Eu sou realista, um mago ilusionista

Te faço enxergar a terra tão triste

Me arrasto veloz, ardente, sedento

Quero sangue nobre da raça de elite

Quem voa pelos céus é meu inimigo

Essa doença eu não quero ter

Sonhar desse jeito é só um castigo

Prefiro pensar no amor me envolver

Quero que as coisas permaneçam assim

Que todos se vão e me deixem em paz

Aqueles que clamam, se afastem de mim

Aqueles que gritam, não me gritem mais

Eu sei prestar atenção

Eu sei entender minha mente

Enquanto eu pratico exclusão

Você continua inocente

Esse não é meu trabalho, meu irmão

Você não é coerente

Enquanto eu choro por amor

Você quer morrer pela gente

O POETA

domingo, 14 de março de 2010

Diferente - Indiferente

-D/I-
Teus olhos me repreendem à cerca de meu mundo singular
Enquanto você não aprende, eu vou até o palco dançar
As batidas da música se encontram e eu não posso parar
Teus olhos te repreendem à cerca de seu mundo exemplar

Incomodar-se é fácil, já não existe bravura para prosseguir
Pra quem tem peito de aço, a tristeza não consegue fingir
Rodopiando entre nuvens cinzas no peito, evitando sorrir
Incomodar é difícil, quando você é triste e o mundo é feliz

O POETA