quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010


Como todo ser humano, hoje eu fui fraco. Fraco por ter ido buscar minha força maior, meu Deus em um momento em que não fui agradecer, tão menos pedir perdão: eu fui, mais uma vez, pedir. Como se não bastasse todos aqueles que têm fome e passam problemas graves todos os dias estarem lá, batendo a porta de uma força cósmica, estava lá também o meu pedido egoísta e sem importância, que eu deveria tomar vergonha na cara e ir resolver só, como todos os outros. E sabem o que é mais incrível? Deus me ouviu e me respondeu.
Eu jamais duvidei disso. Sempre soube que essa força estava comigo, onipotente, onipresente e onisciente. Eu só jamais me julguei no direito de levar meus fúteis problemas ao seu conhecimento. E hoje, sem que eu precisasse expressar meu desejo verbalmente ou mentalmente, só o fato de me lembrar que queria lhe pedir algo, Ele me respondeu.
A chuva ameaçava cair. Ora caía de leve sobre o telhado, ora cessava abruptamente. 10 minutos antes de 2010 começar, não tinha chuva, nem mesmo garoa. Só as goteiras dos telhados despejavam o resto da chuva que caíra há alguns minutos. Subi as escadas para ver a queimada de fogos. Poucas pessoas, os céus ainda pareciam secos. Quando os fogos começaram a anunciar a chegada do novo ano, eu estava lá, esperando pela contagem regressiva, sozinho no meu canto, fazendo uma de minhas preces a Deus. Minha mente trabalhava tão rápido, que não consegui expressar com clareza meus pensamentos. Mas lá dentro, em algum pedaço de minha mente, eu estava fazendo meu pedido injusto, pedindo desculpas por estar o fazendo, e agradecendo, sem jeito, por tudo o que aquele ano me proporcionara.
A contagem regressiva começou, desajustada no começo, algumas pessoas no 10, outras já no 3. Não importava mais nada, pois logo se acertaram. Quando chegaram a um 3 comum, gotas finas de chuva cortaram os céus, pingando devagar sobre as cabeças, espantando algumas garotas que desciam para casa de volta em busca de seus guarda-chuvas. Também não importava. Quando a contagem chegou ao fim, as gotas caíram mais fortes e mais juntas. A chuva. Deus em forma de chuva. Foi quando percebi que lá, no fundo da minha consciência, eu desejara que eu tivesse alguma resposta física. E tive, quando vi a chuva cair exatamente na virada do ano. Não bastasse essa resposta, a chuva cessou abruptamente 5 minutos depois. Elegante, nobre, com classe.
Quando comentei com alguém que Deus tinha me respondido, e a resposta foi cética, mas não desanimadora. Expressei minha alegria, passando vergonha e gritando a todos que quisessem ouvir: "FELIZ ANO NOVO! OBRIGADO DEUS!" Parecia um evangélico fanático se eu conto assim, mas não foi desse jeito. Nem gosto de algo tão fanático assim. Só expressei aquilo que havia sido tão significante e diferente naquele momento. E se de alguma forma, eu ainda estivesse cético, não teria mais como duvidar. Ao gritar aquelas palavras, uma rajada de vento e chuva cortou em direção contrária, molhando-me completamente. Coincidência? Mas nem se isso existisse. Eu sei que recebi a resposta da força maior para aquilo que havia pedido. E mesmo que o pedido em si não seja realizado, tamanha a sua futilidade, Deus me mostrou mais uma vez que estava ao meu lado. E eu nunca vou esquecer desse momento.
Meu Deus, aquele em que eu acredito, e que nenhuma religião pode comprovar sua existência, falou comigo hoje. Ele se provou estar presente em todos os meus momentos. E provou que me escuta, mesmo quando faço um pedido tão fútil e digno de ser ignorado. Isso me levou a pensar: tamanha é essa força. Se me escuta em meu momento mais fútil, quem dirá aqueles que não vêem outra saída à não ser procurar por Ele.
Por isso eu digo agora: nunca deixem de acreditar. Ele está aí. Nas árvores, no mar, na chuva, no rosto de uma criança, no latido de um cachorro, no choro de um bebê, no cantar de um galo, no galope de um cavalo. Bem mais próximo que de um altar, de uma imagem ou de uma possessão espiritual. Ele está do seu lado. É só procurar direito.

O POETA

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Se eu pudesse te pedir...



Eu teria milhões de coisas pra pedir nesse mundo. Que fossem carros, imensos imóveis, dinheiro para não ter de trabalhar e muito tempo para aproveitar ao máximo a minha vida. Seria hipocrisia falar, que nem por um minuto em nossas vidas, não desejamos alguma coisa desse tipo. Mas a verdade é que dá pra conseguir tudo isso. Não posso negar que todas as minhas buscas materiais costumam se concretizar com sucesso dentro dos meus limites. E posso dizer que estou muito satisfeito.
Em minhas buscas profissionais, tenho muitos sonhos, grandiosos e ousados, e tenho muita confiança em minhas capacidades para conquistá-los. Não tenho porque desistir deles, nem que coloquem pedras e mais pedras em meu caminho, por maiores que forem. Eu descobri o porque de estar aqui e acusações e limitações ridículas não vão me impedir de cumprir minhas missões e objetivos - ou ao menos fazer tudo para cumprí-los. Não tenho problemas com os meus sonhos, na verdade, gosto muito de ser um grande sonhador. Acredito que posso transformá-los em realidade todos os dias.
Não tenho porque reclamar das pessoas ao meu redor. Na verdade, tenho de agradecer aqueles que fazem e fizeram parte da minha história. Cada um dos personagens únicos que compuseram minha narrativa e continuam a compor me são muito especiais, e sem eles eu não seria a pessoa que sou hoje. Meus queridos pais, irmãos e todos os meus parentes. Meus amigos, tão perfeitamente colocados em minha estrada. Meus mentores e companheiros de trabalho. As pessoas que não gostaram de mim e aquelas que quiseram me ver mal. Tão importantes para a formação do meu caráter quanto a todos aqueles que um dia, de alguma maneira, me amaram. Por causa dessas pessoas, eu fui desafiado a superar os meus limites, e, de fato, sempre tinha sucesso. Minha vida não poderia ser tão perfeita.
E é. Minha vida é tudo aquilo que sempre quis, justamente porque ela pode se moldar de acordo com minhas novas vontades e desejos. Por isso digo que não tenho do que reclamar.
Mas as vezes, mesmo não me sentindo no direito, tenho vontade de reclamar. Me sinto mal toda vez que penso nisso, pois não é a vida ou o destino ou Deus quem tem culpa de certas coisas acontecerem do jeito que acontecem. A culpa é minha. Uma culpa inocente ignorante, mas é minha. E de todas as coisas que fiz errado e consegui consertar um dia, essa é uma que não consigo, de maneira alguma, consertar. TODAS as vezes, a mesma situação me encara e me derruba. E eu sei que é a minha culpa ignorante. Mas parece que entender essa matéria é mais difícil que entender matemática, física ou química. Eu não consigo. Não dá.
Eu queria poder encontrar, em algum lugar, a explicação por sempre tirar nota vermelha nessa matéria. Eu quero aulas de reforço, eu quero uma recuperação! Eu sei que não existe algo parecido com isso e por isso não me iludo. Mas a dor que sinto todas as vezes que isso acontece é a única que parece que nunca vai passar. Sei que não tenho o direito de reclamar, mas não posso evitar sentir. Peço desculpas por sentir uma vontade absurda de cobrar isso do universo ou de uma força maior.
Senhor. Se existisse algo que me sentisse no direito de lhe pedir, o Senhor já conhece o meu desejo. Todo o resto eu tentaria resolver sozinho.


O POETA

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A merda e o topo

Como é bom ter a quem me direcionar em momentos como esse. O meu diário de Poeta - embora muitos não saibam o porque do pseudônimo Poeta, quando nem sou um - está aqui, todos os dias, aberto para todas as minhas idéias. Não preciso medir minhas palavras, nem ter medo de passar minhas mensagens - outra palavra que parece estar proibida no mundo que consideram culto. "Mensagem? Pra que uma mensagem? É mensagem mesmo o que você fala, ou você está utilizando o termo errado?" É, realmente não sei.

Talvez eu seja bem ignorante a ponto de não saber o que autores, cineastas e artistas queiram passar. Será que querem apenas obras publicadas? Ou será que querem mostrar as mensagens que quiseram passar para determinado público? É uma discussão complexa. Afinal, procurar por mensagens naquilo que se assiste, se lê ou se vê é uma atividade para pessoas que não conhecem o mundo, são ignorantes ou incultas. Mas talvez, também uma atividade daqueles que não desistiram de mudar a porcaria de mundo em que pisam.

Não se conformar com  a realidade não é prepotência, arrogância ou tentativa de superioridade. É simplesmente acreditar que tudo pode ser melhor, ao menos ao seu redor. E é isso o que faz com que pessoas saiam do fundo do poço e vão para o topo do mundo. Praqueles que acham que já estão no topo do mundo, é fácil se conformar com a merda que está lá embaixo. Porque os outros são merda. É fácil lançar olhares fuzilantes praquilo que se considera merda. Como se tivesse medo de pisar e se sujar, ou até se contaminar.
E agora, onde está a arrogância e a prepotência? Está naqueles que buscam algo para chegar ao topo do mundo, ou naqueles que já se consideram no topo do mundo e enxergam o resto como merda?
Mais uma discussão complexa. Talvez seja mais fácil não se pronunciar diante de uma temática tão nociva.

Mas o que querem dizer, os ditos intelectuais e donos da sabedoria? O que é tão lindo, que supera a reflexão dos dias de um ser humano que sabe que está destinado a viver sem liberdade, preso ao fluxo caótico da busca pelo sucesso? O que um romance de todos os dias pode fazer para mudar a vida das pessoas, para entrar em um processo de educação, para mover o mundo? É irônico. Os homens do topo acham que, enxergam tudo como merda. Está tão bom pra eles ali em cima, longe da merda, que não querem mudar nada. Talvez falar sobre a merda e hipocritamente achá-la bela seja interessante. Mas eles não viveram ali. Posso afirmar, que eles não sabem o quanto é belo, e se realmente, o que acham tão lindo, é lindo como o dizem. Se reclamam tanto de ver a merda, porque não faz algo para mudá-la? Talvez, seja mais interessante manter as coisas como estão. Seu posto, no topo do mundo, está ali, garantido. Porque tentar mudar alguma coisa? Porque se preocupar com uma mensagem para as pessoas, quando já se tem conhecimento de tantas delas? Porque tentar buscar um processo de educação que melhore a vida daqueles que estão no que chamam de merda? Não. É muito complicado. Deixe-os sentarem em seus tronos e as bocas escancaradas, cheias de dentes, esperando a morte chegar, como diria Raul Seixas. Se queremos mudar alguma coisa, temos de sair da merda para ir atrás dessa mudança. Quanto à galera do topo... eles que continuem retratando a merda e achando bonito, e querendo estar nela.

É legal observar que não tenho nada que possa comprovar o que falei de determinadas pessoas envolvidas em uma classe ou uma tribo. É interessante falar que, apesar de tê-o aparentemente feito no texto, não tenho a intenção de generalizar o que estou dizendo. É necessário dizer, que, tudo o que disse, foi um desabafo pessoal daquilo que sinto em relação ao meu dia-a-dia. E que eu, espero mudar isso um dia, mesmo que demore muito tempo.

O POETA