Vou tentar não usar palavrões ou termos ou nomes que remetam à qualquer coisa. Tudo o que eu quero é transmitir a carga emocional que se acumulou em um momento tão destruidor, porém nostálgico. Nostálgico mesmo. Passei uns tempos assim. Não era muito legal. Achei que ia perder todos os meus amigos na época. E na boa, quase perdi. Nessas horas eu não sei porque eles ainda andam comigo, tão menos porque eu insisto em algumas coisas. Perdi muito tempo indagando-me: "porque eu não posso falar o que penso sem ouvir uma massa colossal de vozes me reprimirem?", mas percebi que não valia a pena. Afinal, quantas vezes já não participei de uma massa dessas, reprimindo outra pessoa. O estranho nos é aterrorizante e, ao mesmo tempo fascinante. Não gostamos de ouvir nada diferente, mas queremos ser diferentes. Patético, certo? PATÉTICO. E eu sou só mais um desses patetas. E não consigo ser patético, não gosto, mas sou. E quanto menos quero ser, mais sou, certo? A matemática da vida é muito irônica, velho. Mas é real, e pior de tudo, é muito exata. Não é uma fantasia ou um sonho. É de verdade e se comprova todos os dias.
E então começa a análise. Dos sentimentos. Das sensações. Daquilo que não pode ser medido. Daquilo que não pode ser contabilizado. Alguns querem, desejam e acham belo não serem compreendidos. Outros acabam não sendo naturalmente. Enquanto os primeiros procuram por motivos para não serem compreendidos, os outros buscam respostas e tentam explicar-se para o serem. Quem está certo ou errado? Ninguém. Dois grupos patéticos, simplesmente. E talvez, dois grupos que estejam presentes em toda a raça humana.
Porque os risos incomodam tanto? Eles realmente atingem com força e embrulham o peito, e não se sabe porque. Não deveriam ter tanto impacto. Não deveriam ter esse poder, mas eles têm. Estragam a imagem construída durante tanto tempo para não passar mais por situações assim.
Afinal, a idéia é apenas colocada em jogo ou tenta ser expressada de maneira imperativa? Teorias dizem que a primeira opção se encaixa melhor no contexto, mas são apenas teorias. Uma opinião coletiva diria que a segunda é mais apropriada, obviamente, mas isso seria simplesmente pelo fato de que essa opinião possui uma maioria contra a singela idéia colocada em jogo.
Volta-se então à discussão sobre diferenças e estranhezas. Por que aquela simples idéia é recebida aos risos e demonstrações de superioridade e auto-afirmações de normalidade? Por que uma simples idéia tem de ser recebida com desprezo e a vontade maior de se incluir no mundo da malandragem? É só uma idéia. Uma idéia que talvez, após tantas demonstrações de desprezo pode atingir oscilações e tremores imaginários. Uma idéia que termina como o rótulo de loucura e insanidade. Talvez porque seja mais fácil encará-la assim. Ou talvez porque ela realmente chega a esse ponto. A verdade é que é apenas uma idéia expressa. Não merece ser recebida assim. Não mesmo.
O POETA
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